Força consistente do vento que sinto e do frio que temos, engana-nos o sonho e confunde-nos a inteligência, mas jamais deixes de soprar aos ouvidos dessa ladainha da memória, em sucessivos desvios de folhagem, como as árvores que teimam em crescer, sozinhas.

11 comentários:
Enquanto houver em nós D. Quixotes haverá sempre moinhos de vento, talvez a sabedoria seja equilibrá-los com os Sanchos Pança que vivem em todos nós.
Entretanto, vem-me à memória uma frase de Pessoa" Entre mim e a vida há um vidro ténue.Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar".
Desta redoma em que me deito, sonho, sem medo, nem amanhã, talvez invisível, ou ansiando por ser encontrado sem procurar, porém, esperando ver a luz.
Todos os dias da vida são curtos, se lhes dedicarmos tempo.
Diria que sem pensar no tempo, mas vivendo-o neste momento feito agora, os dias nunca serão curtos nem longos, serão o presente feito vida.E só assim vale a pena viver.
Sem promessas de aeroporto na varanda...um sorriso franco, com afecto.
Encontrar o eco de cada um de nós é possível, se todos as superfícies forem puras e límpidas de vontade como a imagem no espelho que de nós inconscientemente desenhamos.
Depois de perdidos, os encontrados só procuram reconhecer a origem da imagem, e sorriem.
(viciado em viajar no tempo, Lost)
Viajar no tempo é sedutor. Confesso que faço grandes viagens, acompanhada de ecos, imagens, flashs, vontades…e vou e volto do futuro e do passado com a mesma ligeireza com que aterro no presente e me faço eu. A imagem do espelho fala-me sempre de todas as viagens e serei a súmula de todas elas, porque eu não sou o que vejo nem o que vêem quando me olham, eu sou o intervalo entre o princípio e o fim e a minha origem está nos momentos em que não me senti perdida.
Sedução e promessas continuam intimamente associados, ambos se esfumam em pouco mais do que nada, se a ligeireza do voo sofre uma aterragem intempestiva por falta de tempo, ou de energia. A obra inacabada da existência só tem sentido se tiver a continuidade com que se completa, por ciclos de pesquisa envoltos em teias de consolidação e intermináveis momentos de glória, de memória e de prazer.
É de fumo que falamos. Sinais densos com significado na persistência e na tolerância, na esperança e na vontade, contrapondo a outros de que se esfumam na dúvida, na insegurança, na inconsistência e na ausência de transparência. Por mais que a aranha construa a sua teia e se empenhe na sua solidez, existem arremessos externos que criam níveis de descontinuidade no resistente e flexível fio, criando mesmo feridas de perplexidade. A obra perpetua-se e estará sempre inacabada enquanto não houver a festa da adiafa.
Fiquei agora sinceramente preocupado com o tipo de festa. Habituámo-nos a ver lutas e festas a propósito de tudo e de nada, isto porque se de trabalho falarmos teremos obrigatoriamente de ouvir falar de lutas. Transparentemente não concordo, mas isso são coisas de economista, que não sou, e de modesto e racional pensador, no que diz respeito à construção social que me encanta, mas para a qual ainda não chegou o meu tempo de exposição pública.
Como se tornou inevitável falar de tempo, acho que se perde e se esgota quando se não aproveita, todo, com afecto e inteligente discussão de ideias, em vez de outras
mundanices.
Fiquei agora sinceramente preocupada com a alusão mundana. Não que o mundano não me interesse do ponto de vista da arquitectura social. Profissão que não exerço!, não passo de mera engenheira de visitas e de sã convivência, com o comedimento enraizado no bom senso. Apraz-me a provocação inteligente dum téte à téte baseado na afectividade e no estímulo neurológico, que me entese os neurónios e que os meta com a mão na massa. Voltamos à obra…ao trabalho…às lutas. Não de classe, não de sexos( nada onde não goste também de dar o ar da minha graça!) Mas a luta continua e a vitória é certa!
A situação geográfica dá para espraiar as ideias num estuário vasto de pontes com ida e volta e eu dou voltas debaixo de água para apanhar algum sentido e o cristalizar numa ideia. Mas da discussão nasce a luz, essa que todos procuramos e poucos enxergam, mesmo quando a tiveram tão perto.
Ah, a festa…a adiafa, a recompensa do fruto do trabalho, é uma festa singular onde se premeia o conseguido pelo esforço e pela vontade dos obreiros, nada de mais!
Nada que nos surpreenda, nem os sinais de fumo são enigmas, nem a estreita ligação entre o mundano e o aniversário do primeiro passo humano na lua é uma coincidência.
Exclusivamente, porque nada acontece por acaso e a negação do óbvio, que sempre tento evitar, pode começar a todo o momento a deixar de fazer sentido.
Adoro água, mas prefiro as pontes, e gosto das palavras como ferramenta exploratória das ideias, para lá dos sentidos, sem os afastar.
O enigma talvez resida nas voltas que damos às costuras da vida. Elas deveriam ser simplesmente unidas como os deuses querem, normais e direitas, sem os refegos que nós lhes impingimos, depois de ouvirmos constantemente a barulheira ensurdecedora da mente. Pensar dá tanto jeito, como é que pode atrapalhar tanto? Hoje estou particularmente naif! :)
Daí me venha o espanto de como chegamos a negar o óbvio. É a mente que o nega, é o centro da razão que se desdiz e contradiz. O que sabemos verdade, afirmamos a pés juntos ser oposto. Umh! Algo me diz que temos que observar e controlar um pouco mais essa impostora. Como? Talvez nem só os neurónios saibam o que fazer, talvez uma sabedoria maior deva ser tida em conta.
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